Porque usa a Igreja Católica o incenso?
Introdução
Quem participa
regularmente na Santa Missa ou noutras celebrações litúrgicas da Igreja Católica já observou o uso do incenso. O seu perfume característico e o fumo
que se eleva no interior das igrejas conferem solenidade às celebrações e
despertam nos fiéis um sentido de reverência e mistério. Contudo, o uso do
incenso não é apenas uma tradição antiga ou um elemento decorativo. Trata-se de
uma prática profundamente enraizada na Sagrada Escritura e na tradição
litúrgica da Igreja.
As origens bíblicas do incenso
O uso do incenso
remonta aos tempos do Antigo Testamento. O próprio Deus ordenou a Moisés que
fosse utilizado no culto prestado no Tabernáculo:
«Arão queimará sobre
ele um incenso aromático; queimá-lo-á todas as manhãs.» (Êxodo 30,7)
Mais adiante, Deus
estabelece a composição específica do incenso sagrado e determina que este seja
reservado exclusivamente para o culto divino (cf. Êxodo 30,34-38).
Desta forma, o incenso
aparece desde cedo como um elemento associado à adoração, à santidade e à
presença de Deus.
O simbolismo da oração que sobe ao céu
Um dos significados
mais importantes do incenso é a sua relação com a oração. O fumo que sobe em
direção ao céu simboliza as súplicas e louvores dos fiéis que se elevam até
Deus.
O salmista exprime
esta realidade com palavras muito belas:
«Suba à tua presença a
minha oração como incenso.» (Salmo 141[140],2)
Esta imagem é retomada
no Novo Testamento, particularmente no livro do Apocalipse:
«Foram-lhe dados
muitos perfumes para os oferecer com as orações de todos os santos.»
(Apocalipse 8,3-4)
E ainda:
«As taças de ouro
cheias de perfumes são as orações dos santos.» (Apocalipse 5,8)
Assim, quando o
incenso é utilizado na liturgia, recorda aos fiéis que toda a celebração é uma
oração comunitária que sobe à presença de Deus.
O incenso e a pessoa de Jesus Cristo
O incenso está também
ligado diretamente à pessoa de Cristo. No relato da visita dos Magos do Oriente
ao Menino Jesus, encontramos a oferta de três presentes:
«Abrindo os seus
tesouros, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.» (Mateus 2,11)
A tradição cristã
interpreta estes dons como símbolos da identidade de Jesus: o ouro para o Rei,
o incenso para Deus e a mirra para aquele que haveria de sofrer e morrer pela
humanidade.
Ao oferecerem incenso,
os Magos reconheciam a divindade de Cristo.
O uso do incenso na Liturgia Católica
A Igreja Católica
conservou esta rica herança bíblica e incorporou-a na sua liturgia.
Durante a Missa, o
incenso pode ser utilizado para incensar:
- o altar;
- a cruz;
- o Evangeliário;
- as oferendas do pão e do vinho;
- o sacerdote;
- a assembleia dos fiéis.
Estes gestos expressam
honra, respeito e veneração. Ao incensar pessoas e objetos ligados à
celebração, a Igreja recorda que tudo aquilo que está ao serviço de Deus
participa de uma dignidade especial.
O que diz o Catecismo da Igreja Católica?
O Catecismo da Igreja
Católica reconhece o incenso como um dos sinais e símbolos utilizados na
liturgia cristã:
«Os sinais e símbolos
tomados da criação, tais como a luz, a água, o fogo e o incenso, exprimem e
realizam as realidades espirituais.» (CIC, n.º 1189)
A liturgia utiliza
sinais visíveis para ajudar os fiéis a compreender e viver as realidades
invisíveis da fé.
O significado espiritual do incenso
O incenso possui
vários significados espirituais:
1. Adoração a
Deus
É um sinal de louvor e
de reconhecimento da grandeza divina.
2. Oração
Representa as preces
da Igreja que sobem até ao Senhor.
3. Purificação
Recorda a necessidade
de purificar o coração para acolher Deus.
4.
Santificação
Assinala a presença do
sagrado e a ação de Deus no meio do seu povo.
5. Reverência
e Honra
Exprime respeito por
Cristo, presente na Palavra, na Eucaristia e na assembleia reunida em seu nome.
Conclusão
O uso do incenso na
Igreja Católica não é uma simples tradição humana nem um elemento decorativo
destinado a tornar as cerimónias mais solenes. As suas raízes encontram-se na
própria Revelação bíblica e foram preservadas ao longo dos séculos pela
tradição litúrgica da Igreja.
Sempre que o fumo do
incenso se eleva durante a celebração, os cristãos são convidados a recordar
que a sua oração sobe até Deus, que a liturgia é um encontro com o sagrado e
que toda a vida cristã deve tornar-se uma oferta agradável ao Senhor.
Mais do que um aroma
agradável, o incenso é um sinal visível de uma realidade invisível: a comunhão
entre Deus e o seu povo.
