Entre o rótulo e a coerência: numa Igreja onde cada um faz o que quer, Cristo deixa de ser Cabeça
Há templos que ecoam como conchas vazias. O incenso sobe, mas o cheiro da vaidade o atravessa. As velas ardem, mas a luz não aquece. Fala-se de liberdade como quem bebe um vinho doce demais — embriaga, mas não alimenta. A verdade, amarga como remédio forte, é deixada na mesa. Cada qual mistura sua própria fé como quem prepara um prato ao gosto do paladar: tira o sal da cruz, adoça o pecado, tempera a consciência com aplausos. A doutrina, que deveria ser farol, é tratada como lanterna opcional. A cruz, que pesa e salva, torna-se ornamento leve. O Evangelho, que corta como espada, é dobrado como guardanapo. E assim se constrói uma igreja de espelhos: todos se olham, poucos se ajoelham. As palavras são altas, mas a escuta é baixa. O som das opiniões faz um barulho colorido — um ruído brilhante — que ofusca a voz discreta d’Aquele que não grita. Cristo permanece, mas como pintura antiga numa parede moderna. Está ali — visível — mas não é mais o eixo. O altar vira palco; o...