Viver assentes na rocha da fé
“O justo,
ou seja, aquele que, no batismo, se revestiu do homem novo, criado na justiça,
vive, enquanto justo, da fé, da luz
que lhe confere o sacramento da iluminação.
Quanto
mais vive da fé, mais vive uma
verdadeira vida sobrenatural, mais realiza em si a perfeição da sua adoção
divina.
Reparai bem na expressão «ex fide»: o que quer ela dizer exatamente? Quer dizer que a fé deve estar na raiz de todos os nossos atos, de toda a nossa vida.
Há almas
que vivem «com fé», «cum fide»; têm fé e não se pode negar que a pratiquem, mas só se recordam
eficazmente da sua fé em
determinadas ocasiões. [...]
Quando,
porém, a fé é viva, forte e ardente,
quando vivemos de fé, ou seja, quando nos orientamos em tudo pelos princípios
da fé, quando a fé se encontra na raiz de todas as nossas ações e é o princípio
interior de toda a nossa atividade, nessa altura, tornamo-nos fortes e
estáveis, a despeito de todas as dificuldades, contrariedades e tentações que
possamos sentir.
E porquê?
Porque, pela fé, julgamos todas as
coisas como Deus as vê, as julga e
as avalia, participando da infalibilidade, da imutabilidade e da estabilidade
divinas.
É
precisamente isso que Nosso Senhor nos diz: «Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática», ou seja,
que vive da fé, «é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas
ela não caiu, porque», acrescenta Jesus, «estava fundada sobre a rocha».”
Beato Columba Marmion (1858-1923), abade | «A nossa fé, vitória sobre o mundo» | Imagem