São Domingos de Gusmão fundou a Ordem dos Pregadores

 

São Domingos de Gusmão fundou a Ordem dos Pregadores

São Domingos de Gusmão, nasceu cerca de 1170, em Caleruega – Burgos (Espanha), e morreu no ano de 1221, em Bolonha (Itália). Pouco se conhece da sua biografia documentável.

Viveu no Sul de França desde 1204, onde aprendeu a conhecer a acção da heresia, sobre a qual afirmou não poder ser debelada pela violência, mas só através do ensino e da persuasão.

Em 1215, fundou, em Tolosa, o primeiro centro missionário, núcleo originário de uma nova ordem de pregadores.

Segundo a concepção de Domingos, a ordem viverá de esmolas sem estar ligada a qualquer casa-mãe, subordinada apenas à direcção dos bispos diocesanos, e dedicando-se à salvação das almas.

No entanto, o Papa Inocêncio III exigiu o estabelecimento de um vínculo monástico permanente e a adopção de uma regra. Assim, os Dominicanos optaram pela regra de Santo Agostinho, confirmada mais tarde, em 1216, pelo Papa Honório III.

A sua tarefa principal é a pregação, para a qual os seus membros se preparam antes de tudo durante o aprendizado.

São Domingos foi canonizado em 1234, pelo Papa Gregório IX. A Igreja celebra a sua memória litúrgica no dia 8 de Agosto. 1

São Domingos, um contemplativo

Domingos era um verdadeiro contemplativo. Gostava de ficar um pouco para trás quando, juntamente com os companheiros, percorria longos troços de estrada imerso no silêncio, totalmente recolhido em Deus.

Desse silêncio brotavam palavras e gestos de vida, além da insólita capacidade de captar na normalidade da vida e das situações a voz daquele que lhe falava precisamente através das pessoas e dos acontecimentos.

Tudo o que lhe acontecia era, para ele, ocasião para escutar a sede das pessoas e a voz de Deus. 

E na experiência do silêncio e do deserto do coração, em Fanjeaux, compreendeu que havia necessidade de “espaço”: espaço para o “diferente”, espaço para o diálogo.

Espaço para que a Palavra pudesse ser pregada dentro de um estilo de vida até então impensado: a vida comum, a contemplação, o estudo, a pobreza voluntária.

O coração de Domingos é um coração ferido pela escuridão do mundo; a sua sede é a sede ardente de quem sente sobre si as feridas dos outros, e deseja responder à voz daquele que convida: «Quem tem sede, venha a mim e beba». 2

A Ordem mendicante dos Pregadores

Os dominicanos são, pois, os filhos espirituais deste espanhol, Domingos, cónego regular.

Em 1206, acompanhando seu bispo à Dinamarca, ele atravessa o Languedoc e constata como aquela velha terra cristã estava arrasada por um feudalismo tenaz, pela ignorância dos clérigos e pela sedução do catarismo.

Na volta, consegue permissão para se fixar lá: pela controvérsia, pelo exemplo da pobreza vivida e da independência em relação aos senhores feudais, Domingos - à margem da horrível cruzada antialbigense - esforça-se por levar os cátaros para o seio da Igreja.

Em 1215, com a colaboração do bispo Foulque, ele reuniu em Tolosa alguns companheiros, para os quais, em 1217, obteve do Papa a confirmação de seu título de frades pregadores.

Colocada à disposição da Igreja, a companhia estende-se até Paris - onde os frades, instalados no subúrbio de Saint-Jacques, tornam-se populares sob o nome de jacobinos -, a Espanha, Bolonha e Roma.

A regra de Santo Agostinho

A regra dominicana é a regra chamada de santo Agostinho, praticada pelo fundador. Mas este incorpora a si elementos estruturais que tornam a ordem dos pregadores aparentada com as associações comunais, as corporações de ofícios e as universidades.

Porque a ordem dominicana distingue-se das antigas ordens por seu caráter democrático:

- em todos os níveis, a autoridade se exerce através de eleições permanentes e renovadas;

- não existe abade à frente do convento, mas sim um prior aprovado pela comunidade.

Assim, os dominicanos são portadores de uma teologia da vida social à qual sempre se opuseram, como que instintivamente, todos os voluntarismos.

Diante dos " perfeitos" cátaros, os frades de Domingos mostravam-se pobres ¬- de espírito, atitude e vestuário. A exemplo de Francisco de Assis, o evangelismo implicava para Domingos uma ruptura com o regime feudal, através da recusa de dízimos e benefícios.

Mas os dominicanos nunca esquecerão que são antes de mais nada pregadores; daí a primazia que sua regra dá aos estudos, inclusive sobre o ofício.

Lembrando-se de como os cistercienses primitivamente enviados ao Languedoc estavam despreparados diante do catarismo, eles mantiveram seu horizonte intelectual amplamente aberto.

Daí a posição de vanguarda seguidamente assumida por esses religiosos vestidos de branco: uma posição desconfortável, não ditada por um secreto desejo de bravata, mas imposta desde o seu interior por uma vocação original. 3

*****

Lema

"Laudare, Benedicere, Praedicare" (Louvar, Abençoar e Pregar)

Tipo

Ordem Religiosa Mendicante

Espiritualidade

Oração, Vida Comunitária, Estudo e Pregação

Santos conhecidos

São Domingos de Gusmão (fundador) | Santa Catarina de Sena | Santo Alberto Magno | São Martinho de Porres | Santa Rosa de Lima

Fontes: 1 História Universal Comparada - VI (texto editado e adaptado) | 2 Texto  | 3 História da Igreja, Pierre Pierrard (texto editado e adaptado) | Imagem