Quando esperamos agradecimento, desvirtuamos o serviço
Há um erro
subtil que por vezes se instala nas comunidades cristãs: a ideia de que, depois
de prestar um serviço na Igreja, devemos receber um agradecimento especial do
padre. À primeira vista parece algo normal, até educado. Mas, se pensarmos bem,
essa expectativa revela uma compreensão muito pobre da própria natureza da
Igreja.
Quando
alguém espera que o padre lhe agradeça pelo serviço prestado, está, sem se
aperceber, a colocar-se numa posição inferior, como se estivesse a trabalhar
para ele ou a fazer-lhe um favor pessoal. E isso não corresponde à verdade da
Igreja.
Na Igreja
ninguém trabalha para o padre. Todos servem Cristo.
O padre
tem uma missão própria recebida pelo sacramento da Ordem: presidir à
Eucaristia, anunciar a Palavra e conduzir pastoralmente a comunidade. Mas os
restantes fiéis não são subordinados dele. Pelo Batismo, todos participam na
missão da Igreja. São membros vivos do Corpo de Cristo, cada um com a sua
responsabilidade.
Quando
alguém lê na missa, catequiza, canta, acolhe, limpa a igreja ou ajuda na vida
da comunidade, não está a ajudar o padre. Está a exercer a sua missão como
cristão.
Por isso,
esperar agradecimentos como se estivéssemos a fazer um favor cria uma relação
errada dentro da Igreja. Introduz uma lógica quase administrativa ou patronal
que nada tem a ver com o Evangelho. A Igreja não funciona como uma empresa onde
uns mandam e outros executam.
Cristo
ensinou outra lógica. Uma lógica que desmonta completamente a procura de
reconhecimento:
“Quando
tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: somos servos inúteis; fizemos o
que devíamos fazer.” (Lc 17,10)
Estas
palavras não diminuem o serviço. Pelo contrário, libertam-no da vaidade e da
dependência de aprovação humana.
O
verdadeiro serviço cristão não nasce do desejo de reconhecimento, mas da
consciência de pertença à Igreja. Quem serve não se coloca abaixo de ninguém,
nem acima de ninguém. Coloca-se simplesmente no lugar do discípulo.
E na
Igreja de Cristo ninguém serve para agradar ao padre.
Serve-se
porque se pertence à vinha do Senhor.
