Santo Agostinho e o mistério da Santíssima Trindade
Conta-se
uma bela tradição sobre Santo Agostinho e
o mistério da Santíssima
Trindade.
Enquanto meditava
profundamente sobre como explicar o mistério
de Deus - Pai, Filho e Espírito Santo - Santo Agostinho caminhava pela
praia. A sua mente procurava compreender racionalmente como três Pessoas podiam
ser um só Deus.
Ao longo da
caminhada, avistou uma criança junto ao mar. O menino tinha escavado um pequeno
buraco na areia e, com uma concha, transportava água do oceano para dentro
dele.
Curioso, Santo Agostinho
aproximou-se e perguntou:
— O que estás a
fazer?
A criança respondeu:
— Quero colocar toda
a água do mar neste buraco.
Agostinho sorriu e
explicou que isso era impossível, pois o oceano era demasiado vasto para caber
num pequeno espaço na areia.
Então a criança
respondeu:
— E não será ainda
mais impossível que a tua inteligência consiga compreender plenamente o
mistério infinito de Deus?
Nesse instante,
segundo a tradição, a criança desapareceu. Santo Agostinho compreendeu que, por
mais brilhante que fosse a mente humana, o
mistério da Santíssima Trindade ultrapassa a nossa capacidade de entendimento
completo.
Esta narrativa não
se encontra nos escritos históricos de Santo Agostinho, mas tornou-se uma das
histórias mais conhecidas da espiritualidade cristã. A sua mensagem permanece
atual: a razão humana pode aproximar-se de Deus e contemplar a Sua grandeza, mas
o amor e a fé conduzem-nos para além dos limites da compreensão.
A Santíssima Trindade não é um problema
para resolver, mas um mistério para acolher: um único Deus que é comunhão
perfeita de amor entre o Pai, o Filho e
o Espírito Santo.
Tal
como o oceano excede a capacidade de um pequeno buraco na areia, também a
infinitude divina ultrapassa a nossa inteligência. Contudo, Deus revela-Se
suficientemente para que possamos conhecê-Lo, amá-Lo e confiar n'Ele.
Reflexão:
"Se não compreendes, não é
Deus." — frase frequentemente atribuída à tradição
agostiniana, recordando que a grandeza de Deus supera sempre a nossa
compreensão, mas nunca o Seu amor por nós.
