São João XXIII - "II Раpa Buono" – “O Papa Bom”

Em 28 de outubro de 1958, quando o mundo esperava um Papa jovem, o conclave elegeu um homem de setenta e sete anos, o cardeal Roncalli, patriarca de Veneza.

Na França, onde fora núncio de 1944 a 1953, ficara a imagem de um correto monsignore, de maneiras simples e um pouco retrógado, cujas boas palavras eram repetidas.

Um "Papa de transição": a etiqueta foi logo colocada nesse pontífice que havia escolhido curiosamente o nome de João porque, como declarou ao Sacro Colégio, os vinte e dois soberanos pontífices que tiveram esse nome "haviam tido quase todos um pontificado de curta duração".

Mas logo em seguida eclode aquilo que já foi chamado de "o milagre Roncalli": aquilo que parecera ser apenas bonomia italiana revelou-se fineza e caridade profunda.

A tenacidade e a malícia do camponês bergamasco mostraram estar acompanhadas, no Papa, pela humildade e a indulgência dos verdadeiros pastores e pela lucidez dos santos. Se Pio XI havia imposto o respeito, Pio XII a admiração, João XXIII impôs o amor.

Sua agonia, no Pentecostes de 1963, foi acompanhada pelo mundo inteiro e, fato único na história da Igreja, sua morte provocou em milhões e milhões de homens, crentes ou não, lágrimas verdadeiras.

João XXIII levou para o pontificado e para sua função de bispo de Roma um novo estilo: saía a pé, caminhava pelas ruas da cidade, - saiu dos limites do Vaticano por cento e cinquenta vezes!-, visitava os padres, os doentes e os prisioneiros de direito comum, mostrando por toda parte uma fisionomia - desconhecida ou esquecida - do papado na qual dominava a bondade.

Mas o “papa bom" não foi somente um "pai do povo"; foi o "pastor" universal, preocupado em romper as barreiras que fazem por toda parte surgir o egoísmo dos homens ou as barreiras que a história levantou entre os cristãos.

Para tanto, João XXIII multiplicou os contatos pessoais; a recepção, entre outras pessoas, do moderador da Igreja presbiteriana da Escócia, do metropolita Damaskinos, dos presidentes das Igrejas episcopal e batista dos Estados Unidos e dos metodistas ingleses, mas sobretudo da filha e do genro de Kruchov, mostrou até que ponto ia a acolhida do Papa.

Por outro lado, juntamente com Júlio Isaac, João XXIII foi o iniciador de uma amizade judeu-crista que começou a se traduzir em fatos e se esforçar por fazer desaparecer os traços e as raízes de um anti-semitismo que, é preciso dizer, foi alimentado sobretudo pelos cristãos, pouco conscientes do fato de que os judeus são seus pais na fé.

Das oito encíclicas de João XXIII, duas tocaram mais particularmente a opinião pública:

- Mater et Magistra (15 de maio de 1961) sobre a questão social

- e sobretudo o testamento do velho pontífice, a extraordinária "carta aberta ao universo", Pacem in Terris (11 de abril de 1963).

A propósito dela [Pacem in Terris], um jornalista chegou a falar de sinfonia - não foi ela, aliás, que inspirou Darius Milhaud? - cujo tema fundamental, nove vezes retomado, reside nestas palavras: "A paz entre os povos exige: a verdade como fundamento, a justiça como norma, o amor como motor, a liberdade como clima".

Se João XXIII foi um grande Papa para numerosos protestantes, é porque, como diria um deles, foi o primeiro que realmente "escutou (.. .), reconheceu, captou e percebeu a amplitude e a profundidade do movimento ecuménico".

O ecumenismo, com efeito, foi o centro do pensamento do Papa; nesse domínio, seu pontificado foi decisivo, pois ele engajou a Igreja romana num movimento cujos esforços de reagrupamento tinham sido, até então, problema quase exclusivamente dos cristãos separados de Roma.

Foi em 1962, em Taizé, que se inaugurou uma "igreja da reconciliação" católica e protestante.

Fonte: “História da Igreja”, Pierre Pierrard (texto editado)

Papa João XXIII - Ângelo Giuseppe Roncalli

Nasceu a 25 de Novembro de 1881, em Sotto il Monte, Província de Bérgamo, Itália. Foi ordenado sacerdote em 1904, aos 23 anos de idade. Faleceu na noite de 3 de Junho de 1963.

No dia 18 de Novembro de 1965, durante a última fase do concílio, o Papa Paulo VI, seu sucessor, anunciou o início da causa de beatificação, juntamente com a do predecessor Pio XII. Foi proclamado beato por João Paulo II a 3 de Setembro de 2000.

Foi canonizado a 27 de Abril de 2014, domingo da Divina Misericórdia, juntamente com o também Papa João Paulo II. A missa de canonização foi presidida pelo Papa Francisco e concelebrada pelo Papa Emérito Bento XVI.

A Igreja celebra a memória litúrgica de São João XIII a 11 de Outubro.