Jesus também foi um refugiado/imigrante
Após o
nascimento de Jesus em Belém, José viu-se forçado a refugiar-se com Maria e o
Menino no Egipto, para fugir aos intentos assassinos de Herodes.
Avisado, em
sonhos, por um Anjo, José partiu para uma terra estranha e longínqua, mas onde o
Menino estaria a salvo daqueles que O procuravam matar.
Durante o tempo
que a Sagrada Família de Nazaré permaneceu no Egipto, José terá continuado o
seu trabalho como carpinteiro, pois outra coisa não seria de esperar dele. Não
é verosímil pensar que a Família tenha vivido à custa de outros ou na
mendicidade.
Mas, e se o
Faraó tivesse decretado o fecho das fronteiras para todos os estrangeiros, particularmente
para os que poderiam “roubar” o trabalho aos egípcios? O que poderia ter acontecido?
Jesus foi,
então, um refugiado/imigrante que regressou à sua terra, após a morte de
Herodes, para cumprir a vontade do Pai.
Só o facto de
Jesus, Maria e José também terem experimentado a situação de serem refugiados/imigrantes
bastaria para todo e qualquer cristão nada dizer e muito menos fazer contra o
acolhimento daqueles que procuram “salvar a vida” ou apenas ter melhores condições
de vida do que a que têm nos respetivos países de origem, sem preconceitos ou julgamentos
“a priori”.
Jesus
identifica-se com cada pessoa, com cada um de nós, particularmente com os que
sofrem e os que tentam sobreviver marginalizados por todos os outros que
recusam ver naquele outro que sofre – ou não - um irmão.
«Porque tive fome e destes-me de comer, tive
sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e
destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter
comigo. (…) Em verdade vos digo:
Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o
fizestes.» (Mt 25, 35,36,40).
Vivemos tempos
complicados e que põem à prova a nossa fé: qual será mais forte, o nosso “medo”
em relação àquele que não conhecemos, e que até pode vir alterar o “rame-rame”
da nossa vidinha, ou a aceitação de que todo o outro é nosso irmão e que não o
podemos abandonar à sua sorte?
Na verdade, não
é fácil! É até mesmo muito difícil. Mas o que me parece também difícil de aceitar
é que o imigrante seja visto apenas em função da sua mais-valia para nós, e que
tal venha a condicionar ao seu acolhimento no nosso país. No entanto, também
reconheço que temos de ter condições para oferecer uma vida condigna a todos os
que procuram o nosso país para viver.
Por isso, considero que, relativamente a este assunto, o atual governo está a ir no bom caminho., pois pretende “acolher quer os refugiados, quer os imigrantes, de forma integrada e humanista” (Nuno Sampaio, secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Cooperação).
Fiquem com Deus!
José Pinto
(Publicado no jornal “A Voz de Trás-os-Montes” em 14/11/2024)
