O livro de Ben Sirá (Sir)
O livro de Ben Sirá
ficou conhecido, na tradição cristã, pelo nome que lhe foi dado pela Vulgata: “Eclesiástico”. Esse nome resulta,
provavelmente, de ter sido um livro particularmente estimado na instrução e
catequese, e assiduamente lido na assembleia
(ecclesia).
A partir da sua obra, e em particular de 39,1-11, podemos inferir
que o autor de Ben Sirá foi um profundo conhecedor da Torá, entendido na Lei e
na tradição escrita judaica. Terá exercido a sua atividade em Jerusalém, e a data da composição da
obra terá sido entre 200-175 a.C.
O livro de Ben Sirá pertence à chamada literatura sapiencial.
Assim, o grande tema do livro é a sabedoria, identificada, de acordo com Pr 1,7
e Jb 28,28, com o temor do Senhor. Esta relação entre sabedoria e Deus é
estruturante em Ben Sirá, e daí se explica o constante louvor Àquele que a
criou (cf. 39,12-35; 42,15-43,33), pois é no serviço e no culto a Deus que se
encontra a glória e a verdadeira sabedoria (cf. 2,1-18; 17,24-18,14;
32,14-33,15; 34,14-35,26).
Para Ben Sirá, é também fundamental pensar a sabedoria enquanto
disciplina (6,18) e pode dizer-se que há no seu texto uma subjacente e inegável
dimensão pedagógica; tão importante como conhecer e meditar sobre os
mandamentos divinos é aprender com os sábios e anciãos.
Para além do tema estruturante da sabedoria e do temor do Senhor,
o livro de Ben Sirá oferece-se também como um manual de moral prática, que
contém diversos conselhos sobre as mais diversas esferas do comportamento
humano. Ben Sirá exorta os seus leitores a seguirem os caminhos da humildade
(3,17-24; 4,8; 7,16s; 10,26-28) e da caridade (3,30-4,6.8-10; 7,32-36; 12,1-7;
29,8-13), enquanto condena pecados como o orgulho e a insensatez (3,26-28;
10,6-18; 11,6; 16,5-23; 20,2-31; 21,1-22,2.18; 25,2; 27,12-15.28; 33,5;
35,22-24; 41,10), a ira, a malícia, a vingança (1,22-24; 27,22-28,11) e os maus
desejos (18,30-19,4; 23,5s.16-26).
A sabedoria de Ben Sirá envolve também conselhos mais práticos
ligados à vida quotidiana, apresentando diversos juízos sobre como os pais
devem lidar com os filhos (3,1-16; 7,27s; 23,14; 41,17) e vice-versa (7,23-25;
16,1-4; 22,3s; 25,7; 30,1-13; 41,5-10), num conjunto de textos que deve ser
lido no contexto de uma cultura arreigadamente patriarcal, já bastante distante
da nossa atual.
Característica bastante original desta obra é a sua parte final
(44,1-50,21), que consiste num longo elogio dos antepassados e oferece um
extenso louvor centrado em figuras do AT, de Moisés e Aarão a Zorobabel, Josué
e Neemias, passando por muitas das figuras-chave da história bíblica, entre
reis, profetas e sacerdotes, e apresentando-as quase sempre como modelos
exemplares para as gerações futuras. Este particular revisitar tão sistemático
da história, que pretende sublinhar a glória de Israel ao longo dos tempos, não
encontra paralelo direto nos textos bíblicos, embora possamos encontrar
abordagens semelhantes em Ez 20,4-44; Ne 9,6-37; Sl 78; 105; 106; 135; 136; Jdt
5,5-21; Sb 10,1-12,27; 1Mac 2,51-64; At 7,2-53; Tg 5,10s; Heb 11,2-39.
Ao colocar online a tradução provisória de Ben Sira, a Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da CEP convida a
comunidade a envolver-se no processo de tradução e revisão deste documento e
dispõe-se a acolher o contributo dos leitores, em ordem ao melhoramento da
compreensibilidade do texto.
A tradução provisória deste e de outros textos bíblicos está
disponível para download no
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Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia
