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Entre o rótulo e a coerência: numa Igreja onde cada um faz o que quer, Cristo deixa de ser Cabeça

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Há templos que ecoam como conchas vazias. O incenso sobe, mas o cheiro da vaidade o atravessa. As velas ardem, mas a luz não aquece. Fala-se de liberdade como quem bebe um vinho doce demais — embriaga, mas não alimenta. A verdade, amarga como remédio forte, é deixada na mesa. Cada qual mistura sua própria fé como quem prepara um prato ao gosto do paladar: tira o sal da cruz, adoça o pecado, tempera a consciência com aplausos. A doutrina, que deveria ser farol, é tratada como lanterna opcional. A cruz, que pesa e salva, torna-se ornamento leve. O Evangelho, que corta como espada, é dobrado como guardanapo. E assim se constrói uma igreja de espelhos: todos se olham, poucos se ajoelham. As palavras são altas, mas a escuta é baixa. O som das opiniões faz um barulho colorido — um ruído brilhante — que ofusca a voz discreta d’Aquele que não grita. Cristo permanece, mas como pintura antiga numa parede moderna. Está ali — visível — mas não é mais o eixo. O altar vira palco; o...

Jesus também foi um refugiado/imigrante

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Após o nascimento de Jesus em Belém, José viu-se forçado a refugiar-se com Maria e o Menino no Egipto, para fugir aos intentos assassinos de Herodes. Avisado, em sonhos, por um Anjo, José partiu para uma terra estranha e longínqua, mas onde o Menino estaria a salvo daqueles que O procuravam matar. Durante o tempo que a Sagrada Família de Nazaré permaneceu no Egipto, José terá continuado o seu trabalho como carpinteiro, pois outra coisa não seria de esperar dele. Não é verosímil pensar que a Família tenha vivido à custa de outros ou na mendicidade. Mas, e se o Faraó tivesse decretado o fecho das fronteiras para todos os estrangeiros, particularmente para os que poderiam “roubar” o trabalho aos egípcios? O que poderia ter acontecido? Jesus foi, então, um refugiado/imigrante que regressou à sua terra, após a morte de Herodes, para cumprir a vontade do Pai. Só o facto de Jesus, Maria e José também terem experimentado a situação de serem refugiados/imigrantes bastaria para todo e qualquer c...

Marta e Maria, modelos para os acólitos de todos os tempos!

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São Lucas   conta-nos, no seu Evangelho (Lc. 10,38-42), que, um dia, Jesus foi recebido em casa de duas irmãs: Marta e Maria. Tendo acolhido em sua casa o Senhor, Marta logo se apressou a preparar o que era necessário para O servir – com certeza, o melhor que sabia e podia -, enquanto que Maria, “sentada aos pés de Jesus, ouvia a Sua palavra.” Eis duas atitudes que podem e devem balizar toda a ação dos acólitos enquanto “servidores do Ressuscitado”. Seguindo a atitude de Marta , o acólito não pode deixar de preparar tudo o que é necessário para o serviço do altar, e depois servir Jesus na pessoa do presidente da celebração, e aos outros ministros (concelebrantes, diácono,…), fazendo sempre bem e com zelo o que lhe compete. No serviço ao altar, cada acólito tem uma missão (ou várias!) que deve executar com gosto e dedicação, sem deixar de valorizar o que os outros fazem, e que é competência deles. Para fazer bem tudo o que tem de fazer, e apenas o que lhe compete fazer, co...

Jesus e os não judeus: encontros que anunciam a universalidade da salvação

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Nos Evangelhos, Jesus exerce a sua missão sobretudo no meio do povo de Israel. Ele próprio afirma: « Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel » (Mt 15,24). Contudo, ao longo da narrativa evangélica, surgem vários episódios em que Jesus contacta com estrangeiros, pagãos ou grupos marginalizados do ponto de vista religioso. Esses encontros não são meramente ocasionais: revelam, desde cedo, que a salvação trazida por Cristo se destina a todos os povos. Através destes episódios, os Evangelhos deixam entrever a dimensão universal da missão de Jesus, que culminará no mandato final: « Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações » (Mt 28,19). Os Magos do Oriente: as nações que vêm adorar O primeiro sinal desta universalidade surge ainda na infância de Jesus. O Evangelho de São Mateus relata a visita dos Magos vindos do Oriente (Mt 2,1–12). Estes sábios, provavelmente astrólogos ou estudiosos das tradições orientais, não pertenciam ao povo judeu. No entanto, reconh...

Santa Águeda, virgem, mártir, +251 - 5 de fevereiro

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O culto de Santa Águeda , virgem e mártir siciliana, é antiquíssimo. Santa Águeda era natural de Catânia (Sicília) e de família nobre e rica. Conheceu o Evangelho desde tenra idade e entusiasmou-se pelo ideal da pureza que dedicou a Cristo. O seu martírio aconteceu durante o terceiro consulado de Décio no ano de 251. Ao saber-se que era cristã, foi presa pelos soldados de Quinciano, procônsul da Sicília. Durante o tempo de prisão foi submetida a penas e castigos muito dolorosos sendo mesmo entregue a uma velha mulher pervertida, chamada Afrodisia, que procurou enganá-la e desviá-la de Deus. Trinta dias esteve Águeda com ela submetida a torturas morais indizíveis. Mas deste sofrimento resultou apenas ter saído mais pura e mais firme no seu propósito. Firme na condição de cristã, foi esbofeteada pelos lictores de Quinciano e encerrada num medonho calaboiço. Como se mantinha firme na confissão da fé, foi submetida ao ecúleo, desconjuntaram-lhe os ossos, aplicaram-lhe lâminas ardente...

São Brás – santo protector contra as doenças da garganta e padroeiro dos cardadores

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  São Brás “Protector contra as doenças da garganta” e “Padroeiro dos Cardadores” Em Latim S.Blasius, em Catalão S. Blai, em Francês S. Blaise, em Espanhol S. Blas. S. Brás nasceu na cidade de Sebaste, na atual Arménia , nos finais do séc. III. Já depois de ter assumido a profissão de médico, sentiu o chamamento de Deus a uma consagração cristã, pelo que terá deixado a sua vida citadina e a sua própria terra indo para os montes, optando por uma modesta vida solitária de oração e de penitência. A sua fama de santo começou a espalhar-se na comunidade de Sebaste e, quando morreu o bispo daquela cidade, todos o aclamaram como novo pastor. São Brás só aceitou a nova responsabilidade pela forte insistência dos membros da comunidade, porque desejava muito mais a vida retirada de oração e contemplação. Mesmo como bispo continuava a viver numa caverna no Monte Argeu , no meio de animais ferozes, com quem convivia, vindo somente à cidade apenas quando as obrigações...

Festa da Apresentação do Senhor – 2 de fevereiro

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  A Igreja celebra hoje, quarenta dias depois do Natal, a Festa da Apresentação do Senhor , que as Igrejas do Oriente conhecem por Festa do Encontro (os gregos chamam Hypapante ) e dos Encontros : Encontro de Deus com o seu Povo agradecido, mas também de Maria, de José e de Jesus com Simeão e Ana. Quarenta dias depois do seu nascimento, sujeito à Lei (Gálatas 4,4), Jesus, como filho varão primogénito, é apresentado a Deus, a quem, sempre segundo a Lei de Deus , pertence. De facto, o Livro do Êxodo prescreve que todo o filho primogénito, macho, quer dos homens quer dos animais, é pertença de Deus (Êxodo 13,11-13), bem como os primeiros frutos dos campos (Deuteronómio 26,1-10). Por estes motivos, Jesus é levado pela primeira vez ao Templo, onde, também pela primeira vez, se deixa ver como a Luz do mundo e a nossa esperança. Está presente um velhinho chamado Simeão, nome que significa «Escutador» e que o Evangelho apresenta como um homem justo e piedoso, que esperava a ...

São Maximiliano Maria Kolbe, presbítero e mártir

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A 8 de Janeiro de 1894, na Polónia, nasce Raimundo Kolbe numa família cristã muito fervorosa. Aos 16 anos recebe o nome de Maximiliano quando entra para a ordem dos Padres Franciscanos Menores conventuais . Estudou em Cracóvia e em Roma onde foi ordenado presbítero em 1918. Ainda em Roma fundou uma Associação religiosa - “Milícia da Imaculada” - destinada ao apostolado católico mariano que tinha como ideal " Conquistar o mundo inteiro para Cristo através da Imaculada ". Por motivos de saúde (sofria de tuberculose), voltou a Cracóvia onde deu continuidade à “ Milícia da Imaculada ” e criou a “ Revista Azul ” ou “ Cavaleiro da Imaculada ” usando desta forma a comunicação social para evangelizar o mundo. O êxito da revista foi enorme e fundou, perto de Varsóvia, uma comunidade " Niepokalanów “- “ Cidade de Maria ” ou “ Cidade da Imaculada ” com uma tipografia de onde saíram inicialmente 5 000 exemplares. Posteriormente, partiu para o Japão com o objetivo ...